Mesa redonda - “Por que ler os clássicos da Antiguidade hoje?”

Dr. Paulo Vasconcellos (UNICAMP); Dr. Paulo Martins (USP); “Dante e il latino – Dra. Cecilia Casini (USP)

 

Nesta fala, apresentaremos algumas noções sobre o que significa ser um “clássico” e algumas justificativas dadas no passado para que se cultivem os Estudos Clássicos, em vários momentos da história relativamente recente ameaçados por acusações de elitismo ou inutilidade. Num país que vive forte ataque às ciências humanas em geral, os Estudos Clássicos têm sido por vezes defendidos por setores do direita e ultradireita brasileira, que constroem uma imagem dos clássicos adaptada a suas ideologias. A nosso ver, é preciso desconstruir essa apropriação baseada numa imagem no fundo ingênua do que foi a Antiguidade e, ao mesmo tempo, evitar invocar na defesa dos Estudos Clássicos, velhos estereótipos que no passado até contribuíram para enfraquecer sua defesa no momento mesmo em que se fazia sua bem-intencionada apologia.

O Canto XXVI do Purgatório de Dante: questões de interculturalidade

No canto XXVI do Purgatório, Dante leva à plena maturidade a polêmica acerca da capacidade de elaboração artística de uma língua poética em vulgar (locutio primaria), em relação ao latim (locutio secundaria). O encontro com Guido Guinizzelli, renovador da poesia florentina do Stil Novo, “il padre/mio e delli altri miei”, e Arnaut Daniel, poeta provençal e autor em língua francesa, o “miglior fabbro del parlar materno”, é a ocasião para mais uma defesa da língua vulgar, já vista no De Vulgari Eloquentia e no Convivio; e para reafirmar a superioridade dos modernos com relação aos antigos (Guittone de Arezzo; Giraut de Borneill). Pretendemos, em nossa comunicação, discutir esse famoso episódio à luz dos debates teóricos e poéticos sobre interculturalidade.


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