Mesa redonda - "As flores do Lácio e o léxico panromânico: variações intra e interlinguísticas"

 

Profa. Dra. Catherine Carras :

Uma des questões de fundo do presente congresso são os desafios e as perspectivas que se apresentam para professores diante da necessidade de realizarem uma educação linguística condizente com as demandas inerentes a contextos variados. Gostaríamos de analisar aqui alguns contextos onde o francês é língua de ensino nas universidades, numa perspectiva comparativa com outros contextos, notadamente o contexto brasileiro.

Países como a Argélia ou a Mauritânia optaram por um ensino secundário em língua árabe, mantendo, contudo, o ensino universitário em francês. Apesar de o francês ainda ter o estatuto de segunda língua nesses países, o domínio cada vez mais problemático da língua francesa na entrada na universidade obriga a oferecer cursos de francês visando a melhorar o desempenho acadêmico dos alunos.

No Líbano como no Vietnã, países onde tradicionalmente a francofonia é ativa, o francês está perdendo espaço para o inglês, e os cursos universitários em francês enfrentam dificuldades devidas ao enfraquecimento do nível dos alunos.

No outro extremo, um país como o Ghana, anglófono, mas rodeado por países francófonos, propõe, em particular nas escolas de engenharia, cursos de francês tendo como objetivo favorecer a mobilidade profissional dos alunos.

Tentaremos observar como esses diferentes contextos de plurilinguismo têm consequências sobre as práticas pedagógicas.

Prof. Dr. Christian Degache :

"As flores do Lácio", ou seja as línguas provenientes do latim falado originariamente na cidade de Roma e na província do Lácio, têm como propriedade compartilhar muitas bases lexicais que compõem um verdadeiro léxico panromânico. Ciente do fato que o léxico constitui a base dos processos de compreensão e, por tanto, da intercompreensão entre falantes destas diferentes línguas, vários projetos didáticos tentaram sistematizar as relações interlinguísticas para propor um conjunto de “regras de passagem” capazes de facilitar os processos analógicos e associativos, inclusive por parte de pessoas que só conhecem uma de essas línguas. Nesta mesa redonda, após apresentar algumas tentativas de categorização destas regras e suas diretrizes, tentaremos identificar as suas fraquezas e limitações e o que pode ser feito ou imaginado para ir além. Tomaremos como base da nossa reflexão o léxico universitário em quatro línguas (espanhol, francês, italiano e português) e notadamente as palavras corriqueiras (como curso, disciplina, aula, frequência, evasão, ministrar, trancar, etc. em português do Brasil e seus equivalentes nos outros idiomas), geralmente consideradas na pesquisa sobre intercompreensão como não problemáticas apesar das diferenças semânticas, as quais se aconselha deixar para quando chegar a hora da produção em língua estrangeira. Porém, este postulado foi mesmo verificado? Será que estas diferenças não podem significar resistências para a compreensão? Como os falantes as gerenciam na hora de produzir para um público em situação de recepção intercompreensiva? (praticando o que se chama às vezes de “interprodução”?) E como os falantes de diferentes línguas gerenciam na interação plurilíngue palavras idênticas ou quase-idênticas mas com acepções diferentes? (por exemplo, o significado básico do francês “cours” corresponde ao português “aula”; o português “curso” se expressa geralmente em francês com o nível de estudo “licence de...” ; “master de...”; e en espanhol “curso” é geralmente o ano de estudo).


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