Mesa redonda – Desafios de um ensino plurilíngue: educação indígena e preconceito linguístico

Profa. Dra. Teca Maher (UNICAMP) – Prof. Dr. Marcos Bagno – (UNB)

 

Profa. Teca Maher: É sabido que em contextos de bi/multilinguismo, as línguas dos repertórios dos falantes interagem intensamente entre si. Vai daí que toda e qualquer consideração acerca do ensino de português como língua adicional para alunos indígenas bilíngues implica, necessariamente, considerar os diferentes modos como a língua portuguesa pode se intersseccionar com as línguas maternas desses alunos.  Tendo isso em mente, meu intuito, nesta apresentação, é discorrer sobre algumas situações comunicativas nas quais alunos indígenas, fiéis às suas culturas interacionais, observam aspectos do componente pragmático de suas línguas ancestrais quando interagem em português. Espero ser capaz de demonstrar, com esses exemplos, que o desconhecimento dessas e de outras particularidades do português indígena pode gerar mal entendidos e avaliações preconceituosas.

Prof. Dr. Marcos Bagno: O preconceito linguístico é, de fato, uma das múltiplas formas que assume no Brasil o preconceito social. A língua é usada como pretexto para discriminar e excluir a pessoa como tal, por ser quem é, por sua etnia, seu gênero, sua classe social etc. Ainda mais profundamente, o preconceito linguístico é uma forma de racismo, porque o racismo é constitutivo da sociedade brasileira, que sem ele não pode funcionar do modo como funciona. O preconceito linguístico se intersecciona portanto com todas as demais formas de opressão social que caracterizam a sociedade brasileira.


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