Primeira chamada à comunicação (22/04/2019)

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Congresso DIPROling 2019

II Congresso Diproling Línguas em trânsito: desafios e perspectivas para professores e formadores e II Colóquio Ensino de Línguas Estrangeiras em Contexto Universitário

Centro de Ensino de Línguas – UNICAMP
29, 30 e 31 de outubro de 2019

Palavras-chave: formação do professor, plurilinguismo, abordagens plurais, competências, distâncias, proximidades, intercompreensão, avaliação

O Centro de Ensino de Línguas da Universidade Estadual de Campinas (CEL/UNICAMP), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e os demais parceiros brasileiros[1] e franceses do projeto DIPROlínguas (CAPES-COFECUB)[2], reunirá dois eventos que pretendem pretendem proporcionar o encontro de profissionais que atuam no Brasil e no exterior nas áreas de pesquisa e ensino de línguas estrangeiras, intercompreensão entre línguas aparentadas, interculturalidade, plurilinguismo e educação bilíngue.

Objetivos: incentivar a pesquisa sobre conceitos e abordagens de interesse do projeto DIPROlínguas no decorrer do seu segundo ano de atividades; apresentar os desdobramentos das ações realizadas anteriormente.

Público: embora se insira no rol das atividades do projeto DIPROlínguas, a presente chamada contempla toda a comunidade dxs pesquisadorxs e docentes interessadxs nas temáticas abordadas, que atuam no Brasil, na América Latina, na Europa e em outros países.

O projeto DIPROlínguas almeja estudar o impacto de um ensino baseado nas relações de parentesco linguístico e na capacidade de reflexão sobre a linguagem, sobre as línguas de escolaridade e outras línguas, pertencentes à família românica ou não, presentes no entorno e/ou no repertório dos alunos: línguas do substrato (indígenas, regionais), línguas de herança, línguas de sinais (Libras, LSF, ASL), línguas dos migrantes, outras línguas adicionais.
Cabe ressaltar que o projeto contempla diferentes contextos educativos no Brasil e na França, do ensino básico ao ensino superior. O ponto em comum entre os campos de pesquisa abordados e as iniciativas pedagógicas desenvolvidas é o fato de colocarem no centro da proposta o parentesco linguístico e cultural, isto é, as percepções de analogias e diferenças por parte de professores e alunos ao longo de processos comparativos.
Essas percepções de analogias e diferenças atualizam, de fato, as representações de distância e proximidade entre línguas e culturas e podem ocorrer em cinco níveis:
1. Linguístico: a percepção da distância entre os códigos linguísticos, seu valor operaacional isto é, a maneira com que um aprendiz considera a proximidade linguística (Kellerman, 1979 ; Bardel, 2006 ; Diaz-Ferrero, 2017: 17-18).
2. Espacial: a percepção da distância física da(s) comunidade(s) que falam uma determinada língua e do(s) território(s) onde essa língua é falada.
3. Sociocultural: a percepção da distância social e cultural entre o ambiente do aprendiz (valores, práticas, ritos etc.) e a representação que ele constrói dos valores, das práticas e dos ritos da comunidade de falantes de uma determinada língua adicional.
4. Interacional: a percepção das variações na interação, o grau de formalidade ou informalidade em função da situação, dos interlocutores e das temáticas em questão. A língua em uso, a dimensão pragmática e sociolinguística
5. Transacional (Moore, 1993 apud Jézégou, 2007), ou seja, no grau de proximidade ou distância socioafetiva entre o aluno e a(s) figura(s) docente(s) e/ou os outros alunos e/ou os falantes das outras línguas.
Após o primeiro congresso DIPROling, realizado em 2018 na UFMG, centrado na questão das representações e dos efeitos das percepções de distância e proximidade para todos os atores, nesta edição queremos destacar professores, formadores e demais agentes educativos, os materiais produzidos e o discurso pedagógico que vem sendo construído a partir das abordagens plurais.
Portanto, a questão de fundo que norteia este evento são os desafios e as perspectivas que se apresentam para professores da educação básica e da universidade diante da necessidade de realizarem uma educação linguística condizente com as demandas inerentes a contextos nos quais coexistem paradigmas variados, determinados por uma humanidade em trânsito, que deve se organizar em sociedades cada vez mais complexas. Nesse cenário, tendo em vista o perfil do professor de línguas, cabe colocar as seguintes perguntas: que competências e conteúdos curriculares poderiam ser considerados imprescindíveis hoje? Que habilidades e saberes o/a professor/a necessita desenvolver e acessar, tanto para atuar na educação básica quanto no meio universitário, levando em conta esse limiar inapreensível, entre o ainda não e o não mais (Agamben, 2009) que constitui fundamentalmente a contemporaneidade?
O contexto é particularmente complexo pois nele convivem/coexistem:
(a) de um lado, o mito do país monolíngue (Capucho & Silva, 2014) e, de outro, a ampliação do ensino da língua brasileira de sinais (LIBRAS) e do ensino de português língua estrangeira (PLE) para alunos indígenas na universidade;
(b) em âmbito acadêmico, de um lado, o paradigma de uma educação linguística que entende a internacionalização universitária como ensino de conteúdos das várias áreas do conhecimento em inglês e, de outro, iniciativas que promovem a democratização do acesso ao conhecimento através de programas de mobilidade acadêmica que incentivam uma abertura para o contato com outras línguas e culturas;
(c) de um lado, uma política linguística que restringe o ensino de língua estrangeira na educação básica ao inglês e, de outro, a presença crescente de alunos indígenas e imigrantes (inclusive não anglófonos e não proficientes nem em português nem inglês) matriculados, por direito, nas escolas públicas brasileiras.

Com a expressão 'Línguas em trânsito' sugerimos diferentes aspectos do plurilinguismo (ou do 'multilinguismo') que pode ser efetivo tanto na perspectiva do sujeito, quanto do entorno social e das estratégias pedagógicas nos materiais e cenários
Portanto, ao submeter a proposta para o congresso, cada autor/a deverá indicar em qual dos seguintes eixos a sua pesquisa se situa:


1. Línguas em trânsito: perspectiva dos sujeitos (professores e formadores) e dos agentes do processo de aprendizagem

a. as competências - desejadas, essenciais e possíveis - para o currículo de professores e formadores hoje:
i. reflexão sobre o ethos (estilo, costume, ação, disposição para...) do/a professor/a em sua prática de ensino de línguas; professor curador, professor mediador;
ii. transdisciplinaridade e abordagens plurais;
iii. estudos diacrônicos, filologia românica e gramática contrastiva; estudos clássicos, o retorno ao latim;
iv. ferramentas digitais aplicadas para o ensino de línguas em EAD; aprendizagem em rede e na rede;
b. o perfil de agentes promotores de políticas para o plurilinguismo implementadas ou necessárias à promoção das culturas associadas às línguas ensinadas; inserção curricular de outras línguas distintas do português; professores e formadores em experiências de formação plurilíngues;
c. avaliação e proficiência; por quê, para quê e como avaliar em contextos plurilingues e complexos; transdisciplinaridade, objetivos específicos na avaliação (quem avalia o quê e para quê).

2. Línguas em trânsito: perspectiva do entorno social, cultural e político

a. os desafios de ensinar em contextos plurilíngues institucionais ou não: escolas públicas de educação básica e universidades; redes de apoio e acolhimento a refugiados e alunos estrangeiros;
b. aproximação e distanciamento em relação à área do conhecimento à qual cada língua está comumente associada; revisão das representações e ideologias e desconstrução dos estereótipos de cada língua (a língua da ciência é..., o... é uma língua sem pátria; filosofia só é possível em...; o francês é para...; italiano e espanhol são…);
c. sobre aculturação, ideologias e dominação no ensino de línguas; as línguas como meio (e não fim); quais saberes e conteúdos para quais línguas? Sobre não ter sotaque, falar como um nativo; ser proficiente; é preciso pensar na LE; não sei português…

3. Línguas em trânsito: perspectiva de cenários e materiais

a. experimentações pedagógicas em dispositivos de mediação digital (plataformas e Ead ou outros);
b. dispositivos didáticos (realizados ou em fase de concepção e planejamento), para avaliação dos aprendizes em contextos e cenários plurilíngues;
c. abordagens e estratégias inter e transdisciplinares baseados e/ou inspirados
i. no diálogo entre as demais áreas dos estudos linguísticos e o ensino de LEs: lexicografia, semântica, estilística, sociolinguística, pragmática e tradutologia, entre outras.
ii. no diálogo criativo com as Artes (cinema, música, literatura, artes cênicas)

Submissão das propostas de comunicação devem ser enviadas a Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - até 20 de maio de 2019

O resumo deverá ter de 200 a 400 palavras (mais as referências citadas no texto).
As propostas deverão indicar em qual dos três eixos propostos estão inseridas (1. Perspectiva dos sujeitos; 2. Perspectiva do entorno; 3. Perspectiva dos cenários e materiais e explicitar suas relações com a problemática a ser discutida no congresso.
Línguas: As propostas de comunicação podem ser em português, francês, espanhol, italiano ou inglês. As comunicações podem igualmente ser em uma dessas línguas, e também em catalão, romeno ou em LIBRAS, desde que apresentem simultaneamente um suporte visual escrito – power point, handout - em um idioma que não seja aquele escolhido para a apresentação oral e, no caso da língua de sinais, deverá ter um intérprete. A escolha das línguas de comunicação deverá ser indicada na proposta inicial para constar no programa do congresso, bem como o eixo temático no qual ela se insere.


Formato do resumo : cf. modelo

Modo de divulgação e publicação prevista: on line, para comunicações recebidas antes do dia 20 de novembro de 2019, com a possibilidade de publicação posterior em revista (a confirmar).

Contato da comissão organizadora : Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Inscrições: a partir de 20 de abril de 2019
Site do congresso: https://www.cel.unicamp.br/diproling

Parcerias (a confirmar)

Comissão científica (composição em andamento): Ana Cecilia Perez (UNC), Angela Erazo (UFPB), Cristina Casadei Pietraroia (USP),Christian Degache (UFMG), Daniela Hirakawa (UFMG), Doina Spita (IASI) Elena Llamas Pombo (USAL) Elisabetta Santoro (USP), Elisabetta Bonvino (Università Roma Tre), Emeli Borges Pereira Luz (UNICAMP), Filomena Capucho (UCP-Viseu), Francisco Calvo del Olmo (UFPR), Guilherme Jotto Kawachi (UNICAMP) Heloisa Albuquerque-Costa (USP), Heloísa Andreia de Matos Lins (UNICAMP), Ivani Rodrigues Silva (UNICAMP), Joacyr Tupinambás de Oliveira (UNICAMP) Karine Marielly Rocha da Cunha (UFPR), Kátia Bernardon (UGA), Maddalena de Carlo (Università degli studi di Cassino e del Lazio Meridionale), Maria Helena Araújo e Sá (UA), Marie-Christine Jamet, Università Ca’Foscari di Venezia, Patrick Chardenet (Erasmus Expertise), Patricia Aquino (UNICAMP), Paulo Oliveira (UNICAMP), Regina Célia da Silva (UNICAMP), Regina Maria de Souza (UNICAMP), Roberta Ferroni (USP), Richard Brunel Matias Universidad Nacional de Córdoba (UNC), Rita Cristina Lima Lages Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Rodrigo Esteves de Lima Lopes (UNICAMP), Romilda Mochiuti (UNICAMP), Rudson Gomes (UFRN), Sandra Garbarino (ULL2,) Sandrine Caddéo, (Université d'Aix-Marseille), Selma Alas (UFRN), Silvana Marchiaro Universidad Nacional de Córdoba (UNC), Sílvia Melo-Pfeifer (Universität Hamburg), Valdilena Rammé Universidade da Integração Latino-Americana (UNILA), Veronica Manole (Universitatea Babeş-Bolyai-UBB), Victória Vivacqua (UNICAMP)

Comissão organizadora (composição em andamento): Ayako Akamine (UNICAMP), Christian Degache (UFMG), Cynthia Pires do Amaral (UNICAMP), Cláudio Moreira Alves (UNICAMP), Juliana Fernandes (UNICAMP), Paoletta Santoro (UFPR), Regina Célia da Silva (UNICAMP), Maria Victoria Guinle Vivacqua (UNICAMP)

Referências:
Agamben, G. (2009) . O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Santa Catarina: Argos.
Capucho, F. ; Silva, R. C. da (2014). Romance languages teaching in Portugal & Brazil. In Fäcke, C. (Ed), Manual of language acquisition, De Gruyter Mouton.
Cortella, Mário Sergio; Dimenstein, Gilberto (2015). A era da curadoria: o que importa é saber o que importa! (Educação e formação de pessoas em tempos velozes). Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2015. 122 p. (Coleção Papirus Debates).
Díaz Ferrero, Ana María (2017). Percepción de distancia lingüística en la adquisición de la lengua portuguesa por hispanohablantes. Horizontes de Linguística Aplicada, ano 16, n. 1, http://periodicos.unb.br/index.php/horizontesla/article/download/21230/18675
Jezegou, Annie (2007). La distance en formation. Premier jalon pour une opérationnalisation de la théorie de la distance transactionnelle. Distances et savoirs 2007/3 (Vol. 5), 2007, p. 341-366. https://www.cairn.info/revue-distances-et-savoirs-2007-3-page-341.htm
Kellerman, Eric (1979). Giving learners a break: native language intuitions as a source of predictions about transferability. Working Papers on Bilingualism, 15, p. 37-57.
Lasagabaster, D. (2006). Les attitudes linguistiques : un état des lieux. Ela. Études de linguistique appliquée, 144,(4), 393-406. https://www.cairn.info/revue-ela-2006-4-page-393.htm
Puozzo-Capron, Isabelle (2012). Le sentiment d’efficacité personnelle et l’apprentissage des langues. In Les Cahiers de l'Acedle, volume 9, numéro 1. Recherches en didactique des langues et cultures, p. 75-94. https://acedle.org/old/spip.php?article3364

Programação (provisória)

Terça-feira 29 de outubro de 2019
15:00 Credenciamento
13:30 Sessão de abertura
16:00 Conferência “Reflexões sobre língua e identidade” – Prof. Dr. Rodolfo Ilari (DL-IEL – UNICAMP)
17:00 "Por que ler os clássicos da Antiguidade hoje?"- Paulo Vasconcellos (UNICAMP); Paulo Martins (USP); “Dante e il latino – Cecilia Casini (USP)”
18:30 Confraternização

Quarta-feira 30 de outubro de 2019
8:30 Credenciamento
9:00 Mesa redonda – Desafios de um ensino plurilingue: educação indígena e preconceito linguistico Profa. Dra. Teca Maher (UNICAMP) – Prof. Dr. Marcos Bagno – (UNB) – Rosangela Morello
10:00 Intervalo
11:30 Sessão 1
12:10 Almoço
14:00 Sessão 2
15:20 Intervalo
15:30 Minicursos
16:45 Intervalo
17:00 Mesa redonda – Jardim das delícias: as flores do Lácio e o léxico panromanico Profa. Dra. Catherine Carras Prof.e Dr. Christian Degache (UFMG-UGA)

Quinta-feira 31 de outubro de 2019
08:30 Mesa redonda –Política de línguas e perspecitva plurilingue em contexto universitário: Heloisa Albuquerque USP–Sandra Garbarino Lumière LYON – Victoria Vivacqua CEL
09:30 Intervalo
10:00 Sessão 3
12:00 Almoço
14:00 Sessão 4
16:00 Intervalo
16:30 Forum dos pares
18:00 Encerramento

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[1] O projeto DIPROlínguas ("Distância e proximidade entre português, francês e outras línguas: potencial da reflexão comparativa”, 2018-2021) conta com a parceria de 10 universidades : Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, Belo Horizonte, Brasil, coord.), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, Brasil), Universidade Federal do Paraná (UFPR, Curitiba, Brasil), Université Grenoble Alpes (UGA, França), Université Lumière Lyon 2 (ULL2, França), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN, Natal, Brasil), Universidade de São Paulo (USP, Brasil), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP, Brasil), Universidade Federal de Uberlândia (UFU, Brasil), Universidade Federal da Paraíba (UFPA)
[2] O presente congresso é organizado com apoio da CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil, no âmbito do Programa Capes/Cofecub.

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